sexta-feira, 30 de outubro de 2026

É INCRÍVEL QUE, EM PLENO SÉCULO XXI, AINDA EXISTAM “DONOS” DE LIONS CLUBES

 





É INCRÍVEL QUE,  EM PLENO

SÉCULO XXI, AINDA EXISTAM

“DONOS” DE LIONS CLUBES 

 

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI

  

         Por questão ética, e mesmo porque ela solicitou, não vou declinar o nome.  Uma extraordinária Leão, que durante décadas dedicou parte da sua vida à causa leonística, com atuação em trabalhos maravilhosos, está deixando o movimento.  Tudo por causa do individuo que se apoderou da propriedade do seu clube.  É ele quem manda, faz e desfaz, sem dar a mínima atenção à opinião dos demais associados.

 

         Em solidariedade àquela dedicadíssima Leão, a quem o Lions muito deve, vou, mais uma vez, meter minha colher de pau no assunto.

 

         O conceito de haver “donos” em uma organização voluntária, internacional e de caráter humanitário como o Lions Internacional, é uma contradição direta aos seus próprios fundadores.  Em pleno século XXI, a persistência de lideranças autocráticas ou de figuras que centralizam o poder e agem como proprietários de um clube, representa um sério entrave para o desenvolvimento e a sobrevivência do movimento leonístico.

 

         O Lions Internacional foi fundado sob a égide do serviço desinteressado, sintetizado no lema “Nós Servimos”.  Por definição, os clubes de serviço funcionam como associações democráticas, onde a rotatividade de cargos e a igualdade entre companheiros devem imperar.  No entanto, a figura do “DONO DE CLUBE” (aquele associado antigo, muitas vezes influente ou detentor de maior poder aquisitivo, que centraliza decisões, veta inovações e perpetua sua vontade acima do próprio estatuto do clube) reflete um coronelismo associativo anacrônico.  Em pleno século XXI, uma época marcada pela horizontalidade das redes e pela exigência de transparência, esse modelo centralizador esvazia a essência democrática da nossa Associação.

 

         A principal consequência direta da existência de “donos” é o afastamento das novas gerações.  O jovem contemporâneo busca espaços de atuação social onde possa ter voz, autonomia e impacto real.  Quando um novo associado ingressa em um clube e depara-se com uma estrutura engessada, onde as decisões já foram tomadas pelo “cacique” local, o entusiasmo rapidamente se transforma em frustação.  O resultado é a evasão crônica de voluntários e o envelhecimento dos quadros sociais, ameaçando a sustentabilidade do nosso movimento a longo prazo.

 

         Os impactos estendem-se também à comunidade beneficiada.  Um clube dominado por visões centralizadoras tende a repetir as mesmas campanhas há décadas, ignorando as novas demandas sociais e as modernas ferramentas de gestão de projetos.  A falta de debate plural impede que o Lions se modernize e adote soluções tecnológicas ou parcerias estratégicas mais arrojadas.  O serviço, dessa forma, perde eficiência e relevância social.

 

         Internamente, a centralização do poder gera um clima organizacional tóxico, pautado por fofocas, divisões em subgrupos e disputas de ego, afastando o foco principal que deveria ser o companheirismo e o serviço;

 

         Externamente, a imagem do Lions Clube corre o risco de ser associada a um “clube de privilégios” ou a uma confraria de vaidades, distanciando potenciais doadores, parceiros corporativos e novos voluntários que não toleram a falta de governança transparente.

 

         Para que o movimento leonístico continue relevante e vibrante no século XXI, é urgente combater o personalismo.

 

         A governança do Lions Internacional possui mecanismos de compliance, ouvidoria e alternância de poder que precisam ser rigorosamente aplicados nos Distritos e Clubes locais.

 

         O verdadeiro líder leonístico não é aquele que se perpetua no comando ou que se considera dono do legado, mas sim aquele que serve de ponte, que empodera os novos membros e que entende que o clube pertence à comunidade à qual ele se propôs servir.

 

         Felizmente, para nós, aqui no Distrito LC-6, são raríssimos os Lions Clubes que ainda tem “donos”.

 

         Peço escusas pela minha intervenção no delicado assunto.

 

         Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.



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