É INCRÍVEL QUE, EM PLENO
SÉCULO XXI, AINDA EXISTAM
“DONOS” DE LIONS CLUBES
PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI
Por
questão ética, e mesmo porque ela solicitou, não vou declinar o nome. Uma extraordinária Leão, que durante décadas
dedicou parte da sua vida à causa leonística, com atuação em trabalhos
maravilhosos, está deixando o movimento.
Tudo por causa do individuo que se apoderou da propriedade do seu
clube. É ele quem manda, faz e desfaz,
sem dar a mínima atenção à opinião dos demais associados.
Em
solidariedade àquela dedicadíssima Leão, a quem o Lions muito deve, vou, mais
uma vez, meter minha colher de pau no assunto.
O
conceito de haver “donos” em uma organização voluntária, internacional e de
caráter humanitário como o Lions Internacional, é uma contradição direta aos
seus próprios fundadores. Em pleno
século XXI, a persistência de lideranças autocráticas ou de figuras que
centralizam o poder e agem como proprietários de um clube, representa um sério
entrave para o desenvolvimento e a sobrevivência do movimento leonístico.
O
Lions Internacional foi fundado sob a égide do serviço desinteressado,
sintetizado no lema “Nós Servimos”. Por
definição, os clubes de serviço funcionam como associações democráticas, onde a
rotatividade de cargos e a igualdade entre companheiros devem imperar. No entanto, a figura do “DONO DE CLUBE”
(aquele associado antigo, muitas vezes influente ou detentor de maior poder
aquisitivo, que centraliza decisões, veta inovações e perpetua sua vontade
acima do próprio estatuto do clube) reflete um coronelismo associativo
anacrônico. Em pleno século XXI, uma
época marcada pela horizontalidade das redes e pela exigência de transparência,
esse modelo centralizador esvazia a essência democrática da nossa Associação.
A
principal consequência direta da existência de “donos” é o afastamento das
novas gerações. O jovem contemporâneo
busca espaços de atuação social onde possa ter voz, autonomia e impacto real. Quando um novo associado ingressa em um clube
e depara-se com uma estrutura engessada, onde as decisões já foram tomadas pelo
“cacique” local, o entusiasmo rapidamente se transforma em frustação. O resultado é a evasão crônica de voluntários
e o envelhecimento dos quadros sociais, ameaçando a sustentabilidade do nosso
movimento a longo prazo.
Os
impactos estendem-se também à comunidade beneficiada. Um clube dominado por visões centralizadoras
tende a repetir as mesmas campanhas há décadas, ignorando as novas demandas
sociais e as modernas ferramentas de gestão de projetos. A falta de debate plural impede que o Lions
se modernize e adote soluções tecnológicas ou parcerias estratégicas mais
arrojadas. O serviço, dessa forma, perde
eficiência e relevância social.
Internamente,
a centralização do poder gera um clima organizacional tóxico, pautado por
fofocas, divisões em subgrupos e disputas de ego, afastando o foco principal
que deveria ser o companheirismo e o serviço;
Externamente,
a imagem do Lions Clube corre o risco de ser associada a um “clube de
privilégios” ou a uma confraria de vaidades, distanciando potenciais doadores,
parceiros corporativos e novos voluntários que não toleram a falta de
governança transparente.
Para
que o movimento leonístico continue relevante e vibrante no século XXI, é
urgente combater o personalismo.
A
governança do Lions Internacional possui mecanismos de compliance, ouvidoria e
alternância de poder que precisam ser rigorosamente aplicados nos Distritos e
Clubes locais.
O
verdadeiro líder leonístico não é aquele que se perpetua no comando ou que se
considera dono do legado, mas sim aquele que serve de ponte, que empodera os
novos membros e que entende que o clube pertence à comunidade à qual ele se
propôs servir.
Felizmente,
para nós, aqui no Distrito LC-6, são raríssimos os Lions Clubes que ainda tem
“donos”.
Peço
escusas pela minha intervenção no delicado assunto.
Um
fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário