quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A METAMORFOSE DO LEONÍSMO ATRAVÉS DA SUA EXISTÊNCIA

 

A METAMORFOSE DO LEONÍSMO

ATRAVÉS DA SUA EXISTÊNCIA

 



PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI 

 

            A história do Lions Internacional é uma crônica de adaptação humanitária.  Desde a sua fundação, em Chicago, nos Estados Unidos, a nossa entidade migrou de um modelo focado em interesses comerciais e networking de negócios para se consolidar como a maior organização de clubes de serviço do mundo.  Vou procurar, a seguir, descrever, resumidamente, as principais fases, transformações estruturais e a evolução filosófica do leonismo ao longo de mais de um século de existência.

 

            No início do século XX os Estados Unidos vivenciavam a proliferação de “clubes de negócios”, circuitos fechados de empresários focados no benefício financeiro mútuo.

 

            Uma assembleia constituinte realizada no ano de 1917 fundou o Lions.  Contudo, a verdadeira metamorfose ideológica ocorreu na Convenção realizada em Dallas, no Texas, em outubro daquele mesmo ano.  Naquela ocasião, foram aprovados os Objetivos do Leonismo e o Código de Ética.  Este documento trouxe uma cláusula revolucionária para a época: nenhum clube teria como objetivo o enriquecimento financeiro de seus membros.  Esse corte umbilical com o corporativismo converteu o Lions em uma instituição puramente filantrópica.

 

            Na sequência, a internacionalização do movimento impôs a necessidade de uma identidade global e maleável a diferentes culturas:

 

·         1920:  A fundação do Clube de Windsor, em Ontário, no Canadá, internacionalizou nossa Associação.

 

·         1925:  Durante a Convenção de Ohio, Helen Keller desafiou os Leões a se tornarem “Cavaleiros dos cegos na cruzada contra a escuridão”.  Este evento alterou permanentemente o foco central de serviços da nossa organização, elegendo a visão como a bandeira mestre do leonismo.

 

·         1926:  A expansão da Associação chegou à América Latina, através de Cuba.  E na década de 1950 espalhou-se de forma robusta pela América do Sul, com forte penetração no Brasil (o primeiro clube brasileiro foi fundado no Rio de Janeiro, em 1952, por Armando Fajardo).

 

            Durante a Segunda Guerra Mundial, o Lions demonstrou alto valor geopolítico.  Seus membros atuaram fortemente na assistência civil e no suporte a refugiados.  O prestígio acumulado fez com que o Lions Internacional fosse convidado, em 1945, a ajudar a redigir a seção de Organizações Não Governamentais (ONGs) da Carta das Nações Unidas (ONU), mantendo até hoje o status consultivo junto àquela instituição.

 

            Conforme nossa organização crescia em número de associados, as demandas comunitárias exigiam um braço financeiro robusto que ultrapassasse as mensalidades locais.  Em 1968, foi criada a Fundação de Lions Clubs International (LCIF).

 

            A metamorfose aqui foi estrutural.  A LCIF permitiu centralizar doações multimilionárias e canalizá-las para catástrofes humanitárias, campanhas de vacinação em massa e projetos de estruturas médicas de grande porte.  A fundação transformou o Lions de uma rede de clubes de ajuda mútua local em um player de peso no cenário do desenvolvimento socioeconômico global, estabelecendo parcerias com entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Fundação Bill & Melinda Gates (com destaque para a iniciativa de erradicação do sarampo).

 

            Por sete décadas o leonismo foi uma organização exclusivamente masculina.  As mulheres atuavam nos bastidores ou em clubes auxiliares conhecidos como “Lionesses” (Domadoras, no Brasil).

 

            Em 1987, a Convenção Internacional aprovou a admissão de mulheres como associadas plenas do Lions.  Essa transição demográfica oxigenou a nossa instituição e alterou a dinâmica de liderança.  O ápice dessa evolução ocorreu na Convenção de Las Vegas, em 2018, quando Gudrum Yngvadottir, da Islândia, tomou posse como a primeira Presidente Internacional da história da Associação, seguida posteriormente por outras lideranças femininas de destaque, como Patti Hill.

 

            A transição para o século XXI exigiu que o Lions modernizasse sua plataforma de metas.  O assistencialismo pontual deu lugar a metas mensuráveis e alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.  Nossa organização unificou forças em torno das suas principais Causas Globais:

 

·         Visão:  Continuidade do combate à cegueira evitável (Programa SightFirst);

 

·         Diabetes:  Conscientização, triagem e apoio a portadores de uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo.

 

·         Fome:  Distribuição de alimentos e programas de segurança alimentar em comunidades vulneráveis.

 

·         Meio ambiente:  Plantio de árvores, preservação de recursos hídricos e reciclagem.

 

·         Câncer infantil:  Suporte psicossocial e financeiro a crianças em tratamento e suas famílias.

 

            Esta transição para causas específicas permitiu uma comunicação mais clara com as gerações mais jovens e deu foco estratégico às ações locais.

 

            O leonismo enfrenta atualmente o desafio de se manter relevante na era digital e atrair novas gerações.  A resposta da nossa Associação tem sido pautada em dois pilares:

 

·         Tecnologia:  A transição dos antigos livros de registro e relatórios em papel para ecossistemas digitais, como o portal MyLions.  Esse aplicativo e plataforma unificada permitem que Leões do mundo inteiro reportem suas horas de serviço, compartilhem projetos e meçam o impacto real em tempo real.

 

·         Novos modelos de Clubes:  Diante da escassez de tempo das novas gerações, o Lions flexibilizou sua estrutura rígida.  Surgiram os clubes virtuais, clubes universitários e clubes de interesse especial (centrados em uma atividade comum, como maratonistas ou ecologistas).  Os Distritos investem fortemente nos Clubes LEO, o braço juvenil da nossa organização, que prepara lideranças jovens desde a adolescência.

 

            A metamorfose do leonismo demonstra uma transição adaptativa contínua.  Nossa organização que nasceu para conectar comerciantes em Chicago converteu-se em uma força humanitária global com mais de 1,4 milhão de associados presentes em mais de 200 países e áreas geográficas.  Ao preservar o seu lema original adotado em 1954 (“Nós Servimos”) e, simultaneamente, revolucionar suas políticas de gênero, ferramentas tecnológicas e causas humanitárias, o Lions Internacional prova que a tradição e a modernidade podem coexistir no voluntariado internacional.

 

            Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.


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