quarta-feira, 15 de abril de 2026

O SEU LIONS CLUBE POSSUI AMBIENTE ONDE UM EVENTUAL CONVIDADO GOSTARIA DE ESTAR ?



  

Um Lions Clube para evoluir, hoje em dia, precisa deixar de ser visto apenas como um “grupo de reuniões” e passar a ser um “centro de conexão e impacto”.   E, para conseguir isso, o sucesso está em transformar o clube em um lugar onde as pessoas sintam que seu tempo é valorizado e sua presença faz diferença.

            E um Lions Clube se torna um lugar onde as pessoas desejam estar quando sua atividade deixa de ser apenas uma “reunião de serviço” e passa a ser uma “comunidade de pertencimento”.  O ambiente ideal, nesse caso, combina proposição, acolhimento e relevância.

            Toda pessoa, inclusive um futuro associado do Lions, normalmente almeja estar e participar de um espaço entre a casa e o trabalho.  Os sociólogos chamam esse espaço de “terceiro lugar”.

            O conceito de “terceiro lugar” define espaços essenciais para a vida social, onde as pessoas se reúnem fora da rotina casa-trabalho.  E um Lions Clube pode perfeitamente aspirar a ser esse local.

            (Observação do articulista:  O conceito de “terceiro lugar” foi cunhado por Ray Oldenburg (1932-2022), que foi um influente sociólogo urbano americano e professor emérito da Universidade Oeste da Flórida.  Ele é amplamente conhecido por seu livro de 1989, “The Great Good Place” (sem tradução oficial, mas frequentemente referido domo “O Grande Bom Lugar”), onde cunhou e detalhou o conceito de “terceiro lugar”.  O termo surgiu da observação de Oldenburg sobre a importância de ambientes sociais informais para a vitalidade de uma comunidade.  Ele classificou os espaços da vida humana em três categorias: a) Primeiro lugar: A casa (onde se vive); b) Segundo lugar: O trabalho ou a escola (onde se passa a maior parte do tempo produtivo; c) Terceiro lugar: Espaços públicos e neutros onde as pessoas se reúnem voluntariamente para socializar, relaxar e conversar fora das pressões do lar ou das obrigações.  Segundo Oldenburg, esses espaços devem ser “niveladores”, onde o status social não importa e o foco principal é a conversa.)

            E como um Lions Clube pode se tornar um “terceiro lugar” ideal para acolhimento de um novo associado? 

Existem, para responder esse questionamento, diversos pilares esparsos e estabelecidos em módulos diferentes para concretizar e desenvolver esse ambiente.  E isso nos é fornecido por literatura existente e que trata do tema.

A fim de esclarecer eventuais interessados e, também, para conhecimento e aperfeiçoamento pessoal, realizei diversas consultas e pesquisas visando desvendar o significado do que é proposto por aqueles pilares.  Feito isso, consegui apurar os seguintes aspectos:

            - Para iniciar o processo de se transformar em “terceiro lugar” o Lions Clube precisa modernizar seu formato, nunca, porém, fugindo das normas e orientações estabelecidas por Lions Internacional.  O formalismo excessivo tem o condão de afastar novos associados, ao invés de engajá-los no clube de forma definitiva.  Há necessidade da criação de um ambiente atraente que envolva flexibilidade (reuniões em horários variados, por exemplo) e agilidade (pautas diretas que priorizem a ação em vez de protocolos longos).

            - A cultura do acolhimento deve fluir normalmente.  Ninguém quer estar num local onde se sinta um estranho.  O ambiente deve ser favorável e psicologicamente seguro, onde o novo associado é ouvido e o veterano é respeitado.  Isso envolve reuniões dinâmicas (menos protocolos rígidos e mais conversas produtivas) e celebração (comemorar conquistas pessoais e do clube é um dos fatores que cria laços afetivos).

            - Enquanto cafés e bibliotecas são terceiros lugares passivos, o Lions é um “terceiro lugar” ativo.  O que atrai às pessoas ao nosso movimento é o propósito compartilhado.  São responsáveis por isso:  o trabalho voluntário não deve ser um fardo, mas uma “desculpa” para o encontro social;  o ambiente deve ser descontraído e despretensioso, ou seja, um lugar onde o associado pode ser ele mesmo.

            - A cultura do pertencimento deve estar sempre presente.  O Lions deve ser um lugar onde o acolhimento é real (todo novo associado é mentoreado, e não apenas “fichado”) e exista a valorização de talentos (cada um contribui com o que sabe fazer melhor: um contador cuida da tesouraria, um publicitário cuida do marketing, por exemplo), gerando senso de utilidade;

            - O clube precisa ter foco em projetos de impacto e visibilidade.  Ninguém quer estar em um grupo que apenas discute problemas; as pessoas querem solucionar.  O que atrai as pessoas hoje é o impacto real.  Um ambiente estimulante é aquele onde a pessoa vê que sua hora de voluntariado mudou a vida de alguém na comunidade.  Quando o clube foca em projetos inovadores (como combate à fome, alívio à visão ou meio ambiente), ele se torna um símbolo de transformação que orgulha seus associados.  Experiências de serviço geram gratificação imediata.  Para atuar em causas relevantes, o clube deve alinhar as ações locais com temas contemporâneos (sustentabilidade, fome, entre outros).

            - O Lions Clube é uma escola de liderança, e ele deve utilizar esse fato para colaborar com o desenvolvimento e crescimento pessoal dos seus associados.  Precisa realizar palestras trazendo convidados que agreguem conhecimento aos seus membros.  Deve realizar treinamentos abrindo espaço para que seus associados aprendam a falar em público, gerem projetos e liderem equipes.  Os dirigentes devem mostrar que ser um “Leão” abre portas para parcerias e amizades sólidas com líderes da comunidade.

            - A “cara” do clube é muito importante.  Um ambiente onde as pessoas querem estar é visualmente convidativo.  E isso cria o desejo de participação, aquele famoso “quero fazer parte disso”.  Diferente do trabalho (focado em tarefas), ou da casa (focado em deveres domésticos), o “terceiro lugar” vive da conversação lúdica.   O Lions deve promover reuniões onde o debate de ideias e o companheirismo sejam tão importantes quanto a pauta administrativa.  Se o encontro em uma reunião leonística for apenas uma leitura de atas, ele vira uma extensão do trabalho.

            - Os terceiros lugares bem-sucedidos oferecem um calor psicológico que o ambiente corporativo não prevê.  O Lions Clube deve aspirar a ser o lugar onde o sucesso é medido pela qualidade das amizades e pelo impacto na comunidade, e não pelo cargo ou renda dos seus associados.

            - Para ser um “porto seguro”, o clube deve ser um local de hábito.  Os associados devem sentir que aquele espaço está lá para eles de forma consistente.  Isso cria um “sentimento de casa longe de casa”, onde a presença dos rostos conhecidos combate a solidão urbana e fortalece a saúde mental.

            - Um “terceiro lugar” é um grande nivelador.  No Lions isso significa que, ao cruzar a porta, as hierarquias profissionais devem desaparecer.  O foco deve ser a identidade como “Leão”.  E, para ser esse espaço, o clube precisa ser acessível, sem barreiras de entrada intimidadoras, onde a conversa flui de forma orgânica e todos tem voz.

            - Para ser um “terceiro lugar” condizente com a finalidade, o Lions não deve focar apenas no que os associados fazem (serviço), mas em como eles se sentem (pertencimento) enquanto estão lá.  Para ser um lugar onde alguém queira estar, o Lions Clube precisa ser menos sobre “o que fazemos” e mais sobre “como nos sentimos e quem ajudamos enquanto estamos juntos”.

            - O Lions precisa ser menos “obrigação” e mais “destino”.  Se a experiência do clube for revigorante, o engajamento e a retenção dos seus associados acontecem naturalmente.

            São esses tópicos apurados e relacionados com o “terceiro lugar” que, modestamente, estou submetendo à apreciação dos notáveis Leões e das dulcíssimas Leões e Domadoras destinatários.

            Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

(*)          Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista

                Ex-Governador 1997-1988 do Distrito L-17 (atual LC-6)

Membro do Conselho de Ex-Governadores do Distrito LC-6

                Associado da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com

OBSERVAÇÃO:  No texto desta matéria citei o sociólogo Ray Oldenburg e o livro onde ele cunhou o conceito de “terceiro lugar”.  Você gostaria de conhecer os OITO CRITÉRIOS que Oldenburg definiu para que um espaço seja considerado um verdadeiro “terceiro lugar”?  Se desejar, basta solicitar através do meu e-mail que terei o máximo prazer em enviar.  PDG Andriani.

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